quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A minha agenda

    Tinha mais ou menos 12 anos e para o meu aniversário, o que eu mais desejava era ter a minha agenda.

Eu vi o anúncio na televisão e comuniquei a todos, que queria aquela agenda específica. Aqui o meu coração, já começava a dar sinais da minha vontade de escrever.

O anúncio ainda era mais antigo que este, mas a música e a voz do interlocutor era igual Lembro-me que desde que fiz o pedido á minha família, eu andava sempre a cantarolar a música (também não era difícil, a música ficava no ouvido).

Nunca tinha pedido nada em específico, para o meu aniversário e apesar de receber sempre um presente, não me lembro de nada em particular.

Sei que na altura a vida não era fácil, a minha mãe teve sete filhas e que um presente destes era muito caro, mas eu queria-a tanto...

O meu aniversário chegou e a agenda não estava. Chorei, chorei de desilusão.

A agenda era esta, só que ainda mais antiga, talvez de 1989, não sei.

Segui triste e esqueci a agenda, porque sabia que não iria tê-la. O Natal estava quase a chegar e eu gostava muito desta época, especialmente no dia em que iam todos para a cozinha fazer os preparativos para a ceia. Eu como era a mais nova, estava lá para ajudar a rapar os restos da massa dos doces com o dedo. Hum, que lembrança deliciosa, até fiquei com água na boca, só de recordar.

Depois de jantar (comido no chão como mandava a tradição da altura) o que qualquer criança quer é a chegada do Pai Natal e eu não era diferente. Mas até lá nós cantávamos, brincávamos, jogávamos às cartas, etc.

A minha família tinha a tradição, de cada um deixar um sapato na cozinha, para o Pai Natal deixar o presente.

Quando chegava á meia noite corríamos pelas escadas abaixo para ir ver os presentes. Quando abri o meu, eu nem conseguia acreditar que tinha nas mãos A minha agenda.

Soube na altura que foram as minhas irmãs que trabalhavam que juntaram o dinheiro para me oferecerem.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Um estalo por um desenho

 Os meus nunca me bateram, nem nunca levei reguadas na escola. No 4° ano levei a primeira estalada da professora que mais gostei.  Ela gosta...