quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Um estalo por um desenho

 Os meus nunca me bateram, nem nunca levei reguadas na escola.

No 4° ano levei a primeira estalada da professora que mais gostei. 

Ela gostava de mim, por eu me chamar Carina e porque tinha alguém na família com o mesmo nome.

A casa da professora era perto da escola e ela pediu-me para ir bater a sua porta para irmos juntas para a escola. Assim lá ia eu...ela era uma pessoa muito amável e gostava mesmo do que fazia.

Na altura ela já deveria ter uma idade jeitosa, pois já tinha o cabelo grisalho, não sei se já faleceu, mas eu recordo-a com carinho.

Na altura do estalo, a professora pediu-nos para pintar um desenho e eu quando estou a pintar, desligo de tudo o que se passa á minha volta. Eu queria pintar o desenho com as cores certas e a combinarem umas com as outras. Nestes casos é preciso tempo para sair uma bela pintura.

Era um desenho parecido, com muitos pormenores para pintar, só que era mais natalício.

Saí do meu mundo, quando sou surpreendida pela professora postada á minha frente e a gritar comigo " Tu ainda estás a pintar, os teus colegas já acabaram" pimba uma estalada bem forte. Arrancou-me a pintura das mãos e continuou a gritar " Ainda tens que decorar o poema, para irmos declarar a sala ao lado".

Não deitei uma lágrima, o meu orgulho era mais forte. Decorei o poema e fui com a turma declamar o poema sem problemas.

Apartir desse momento (estávamos na época natalícia) nunca mais fui buscar a professora a casa. 

Depois de sair do quarto ano, vi-a algumas vezes e ela fazia uma festa quando me via e eu também.

Depois desta história toda, durante muitos anos ainda me lembrava do poema que fomos declarar. Agora só me lembro da primeira quadra, era assim:

"Batem leve, levemente

Como quem chama por mim

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente 

E a chuva não bate assim"

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A minha agenda

    Tinha mais ou menos 12 anos e para o meu aniversário, o que eu mais desejava era ter a minha agenda.

Eu vi o anúncio na televisão e comuniquei a todos, que queria aquela agenda específica. Aqui o meu coração, já começava a dar sinais da minha vontade de escrever.

O anúncio ainda era mais antigo que este, mas a música e a voz do interlocutor era igual Lembro-me que desde que fiz o pedido á minha família, eu andava sempre a cantarolar a música (também não era difícil, a música ficava no ouvido).

Nunca tinha pedido nada em específico, para o meu aniversário e apesar de receber sempre um presente, não me lembro de nada em particular.

Sei que na altura a vida não era fácil, a minha mãe teve sete filhas e que um presente destes era muito caro, mas eu queria-a tanto...

O meu aniversário chegou e a agenda não estava. Chorei, chorei de desilusão.

A agenda era esta, só que ainda mais antiga, talvez de 1989, não sei.

Segui triste e esqueci a agenda, porque sabia que não iria tê-la. O Natal estava quase a chegar e eu gostava muito desta época, especialmente no dia em que iam todos para a cozinha fazer os preparativos para a ceia. Eu como era a mais nova, estava lá para ajudar a rapar os restos da massa dos doces com o dedo. Hum, que lembrança deliciosa, até fiquei com água na boca, só de recordar.

Depois de jantar (comido no chão como mandava a tradição da altura) o que qualquer criança quer é a chegada do Pai Natal e eu não era diferente. Mas até lá nós cantávamos, brincávamos, jogávamos às cartas, etc.

A minha família tinha a tradição, de cada um deixar um sapato na cozinha, para o Pai Natal deixar o presente.

Quando chegava á meia noite corríamos pelas escadas abaixo para ir ver os presentes. Quando abri o meu, eu nem conseguia acreditar que tinha nas mãos A minha agenda.

Soube na altura que foram as minhas irmãs que trabalhavam que juntaram o dinheiro para me oferecerem.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

A bonequinha em lã

   Hoje venho-vos mostrar o 1° trabalho realizado pela Dinispispis. Uma almofada bordada com lá.

Está almofada é muito especial para mim porque, para além de ter sido o primeiro trabalho que fiz, ela já tem mais de 30 anos e continua linda.

Vou contar-vos um pouco da história desta almofada para perceberem...

Eu estava no 5° ano da escola e naquele tempo tínhamos a disciplina de trabalhos manuais e o nosso trabalho era bordar uma almofada.

De inicio achei um pouco complicado compreender o ponto estrela, escolher as lãs, mas depois de começar apanhei-lhe o jeito e a meio já ensinava e dava dicas aos meus amigos para eles passassem na disciplina.

No final do ano letivo a almofada estava terminada e depois ofereci a uma das minhas irmãs, porque me pediu. Depois deste tempo todo, ela continua lá, numa cadeira, a olhar para nós com um ar ternurento.

O bordado só é feito na parte da frente. Na parte de trás é tecido cozido ao bordado e leva enchimento por dentro.

Este tipo de trabalho demora a ser realizado mas o final compensa.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Desenhos inusitados

  No quinto e sexto ano da aula de educação visual, aprendi a desenhar, a pintar de várias formas e há memórias que ficaram gravadas dessa época.

No final do ano trazemos para casa todos os trabalhos que fizemos nas aulas. Guardei-os em casa da minha mãe, durante alguns anos, mas como não segui no curso de artes, por ter matemática ( sou um zero á esquerda nesta disciplina) fui para administração pública que era a única área que não tinha matemática. Os meus desenhos e pinturas foram para o lixo.

Hoje, tenho pena de o ter feito porque poderia mostrar-vos o que fiz. O que eu mais gostava de fazer era desenhar por observação. Eu desenhava os prédios da frente do apartamento (sem réguas), cheguei a desenhar o meu Pai sentado no sofá, entre outros.

Um dia fomos visitar os campos maceira e adorei o local, quando chegamos á sala de aula a professora pediu-nos para fazer um desenho sobre o que vimos. Ui, isto já não era desenhar por observação como costumávamos fazer, isto já era outro nível. Tentei desenhar o mais fiel possível o que vi e o meu desenho foi considerado o melhor da turma e até foi para a exposição da escola.

Lembro-me também de uma situação inusitada, onde já no 7° ano aprender várias formas de desenhar e um dia a professora pediu-nos para fazer um desenho onde metade da folha teria de ser igual á outra metade, mas não nos deu nenhum tema, era um desenho livre.

Fiz uma roda com uns traços e pintei. Fiquei cheia de medo que a professora visse o meu trabalho, porque pensei que não era nada daquilo que ela tinha pedido e até levantei o trabalho na minha direção para ela não o ver (eu estava na primeira fila, mesmo em frente á professora).

Um colega que estava atrás de mim, viu o meu desenho e começou a elogia-lo e a chamar a atenção de todos os colegas da turma. Eu na altura não gostava de dar nas vistas e fiquei surpreendida com aquela reação. Voltei a olhar para o que fiz e não consegui perceber o que eles viam de tão espetacular, pensei até, que estavam todos a gozar comigo.

A Professora então levantou-se e veio ver o meu desenho e concordou com a turma toda e deu-me nota 5. Durante anos não consegui perceber o que todos tinham visto, para mim aquilo tinha sido tão fácil de fazer, era uma simples roda com uns traços.

Só mais tarde compreendi que eu tinha feito um padrão, se eu dobrasse a folha a meio, a parte de cima era igual á parte de baixo.

Sem saber, provavelmente surgiu ali o meu interesse em desenhar padrões. 



Nota: Não foi este o desenho que apresentei, só o estou a mostrar para vocês verem uma das rodas aqui representadas e imaginarem-na a ocupar apenas uma folha onde dobradas a meio, elas são exatamente iguais e que foi mais ou menos o que fiz na altura só com cores mais vivas e com riscas.

Esta pintura é igual se a dobrar ao meio elas são geometricamente iguais.


quarta-feira, 15 de julho de 2026

A minha cara de Rssss.

    No 5°ano de ensino básico, lembro-me que a professora de educação visual, pediu-nos para fazermos um desenho com a nossa profissão de futuro.

Nunca ninguém me tinha perguntado o que eu queria fazer quando fosse grande, até aquele momento, eu sabia que tinha que desenhar qualquer coisa, então desenhei uma menina (eu) com os livros na mão. Como gostava muito de aprender nas aulas de educação visual e de trabalhos manuais, os livros representavam os que andavam sempre comigo (e ainda hoje andam, não saio de casa sem eles) os livros para ler, escrever, pintar, entre outros.

A professora quandol viu o meu desenho pensou que eu queria ser professora e eu fiquei com cara Rssss!

 Eu pensei...eu, professora?!? A professora está doida, mas eu não disse mais nada, deixei que ela pensasse assim. O que na verdade, o que eu pretendia transmitir era que eu queria ser uma aluna e estar a aprender, o que mais me fazia feliz. É hilariante a minha inocência da altura.

O que é certo é que já escrevi o meu primeiro livro "Um Passo de cada vez" e estou sempre a aprender a fazer trabalhos manuais de todo o tipo porque é o que eu mais gosto de fazer.

E quem sabe se um dia não serei formadora (não professora) de trabalhos manuais da Dinispispis e um dia direi, "a professora de educação visual já sabia." 😱 


segunda-feira, 13 de julho de 2026

A verdadeira vocação

  No final do 6° ano fizemos uns testes psicotecnicos para descobrir a nossa verdadeira vocação. Eu fiz, mas a dada altura, havia uma pergunta onde eu deveria responder, mas fui fazer a questão à minha mãe.

Mãe, o que é que eu gosto mais de fazer? Bordar. Oh Mãe, eu não posso escrever isso aqui porque isso não é uma profissão. -Filha, mas isso é o que eu te vejo a fazer a maior parte do tempo, bordar, pintar, escrever, desenhar...

Não aceitei e respondi outra coisa qualquer, que não me lembro. Só sei que o teste não me levou a conclusão nenhuma que fizesse sentido para mim. Continuei sem saber qual era a minha vocação, mas ainda tinha muito tempo para descobrir o meu caminho.

A minha Mãe tinha razão, eu adorava  fazer tudo aquilo que ela me disse. As Mães sabem sempre tudo, ali estava a minha verdadeira vocação. Não a aceitei e andei perdida durante muito tempo. Andei como este desenho, em várias direcções....


nem imaginam quanto.

domingo, 12 de julho de 2026

Introdução no desenho e na leitura

  Um dia vi os desenhos de um primo, que eu só o via nas férias de agosto e fiquei fascinada. Perguntei-lhe como é que ele conseguia desenhar tão bem e ele disse-me que desenhava por observação. Fiquei intrigada e para mim aquilo era algo que eu nunca tinha visto.

Desenhar? Eu nunca tinha desenhado e pensei se ele consegue, eu também consigo. Fiz as minhas tentativas e até não correu nada mal, para uma criança é claro!

Depois conheci a minha amiga de infância, a Elisabete. Quando saiamos da escola, era frequente eu ir até casa dela. Nos brincávamos, estudávamos e até fazíamos as nossas brincadeiras sem maldade, que implicava papelinhos, que ficou só entre nós. 

A Elisabete mostrou-me a sua biblioteca dos Patinhas. Tinha tantos livros que eu fiquei ooh!

Eu já tinha visto a biblioteca do meu Pai, que é uma apaixonado pela leitura, mas nunca me tinha interessado por ela, porque era só livros grandes e grossos.

A biblioteca da Elisabete era outra história. Pedi-lhe para me deixar levar para casa um livro e lembro-me que o devorei. No dia seguinte levei o livro e ela disse-me que eu podia levar um de cada vez, desde que eu os estimasse. E foi com ela que eu aprendi a gostar de ler. Diga-se de passagem que os li todos.

É aqui que entra também a minha paixão pelo desenho. Eu depois de ler um livro, comecei a desenhar por observação as capas dos Patinhas e quanto mais confusão tinha, mais eu gostava de desenhar.

Tenho a agradecer a estas duas pessoas que introduziram na minha vida o desenho e a leitura. Obrigada!

Nota: não tenho os desenhos dos Patinhas para vos mostrar, mas fica aqui um coração para os meus dois mentores.

  



sábado, 11 de julho de 2026

Aprender a combinação de cores

  Desde muito cedo a minha paixão pela pintura já me corria nas veias. Na altura tinha um livro de pintar igual á imagem do lado e gostava muito de poder colorir o mais fiel possível.

Um dia ofereceram-me um livro sem copia, aqui eu tinha que usar a imaginação para o pintar. Sem bases nenhuma de pintura (eu ainda não tinha ido para a escola) eu pintava á sorte, era a cor que me vinha á mão. 

Lembro-me de estar a pintar uma menina com um chapéu. A minha irmã Lurdes, vendo-me tão empenhada na pintura, aproximou-se e olhou para a minha pintura e deu-me dicas sobre como usar a combinação de cores.

Parece que ainda a oiço a dizer..."se estás a pintar o vestido de amarelo, tens de pensar que cor fica bem com amarelo, para pintar a fita do vestido e como o chapéu também tem uma fita, podes pintar igual á do vestido. E o cabelo de que cor vais pintar?" 

Ela, naquele pequeno momento, ensinou-me uma lição muito importante, sem se aperceber, que levei comigo para todas as minhas pinturas 

Pintar não é só pegar nos lápis e pintar, é preciso pensar e dedicar tempo a escolher as cores mais adequadas para o desenho.

É claro que não tenho o desenho que pintei na altura, mas fica aqui um com uma menina com vestido amarelo onde as cores foram pensadas.

   

Nota: Desculpa Lurdes mas fui eu que comi a metade do teu ovo de chocolate. Eu só queria provar um bocadinho, mas eu era tão ingénua que pensei que pensei que se tirasse um bocado tu ias dar conta, mas se comesse metade tu não irias reparar por isso neguei até ao fim que não fui eu 😅




Um estalo por um desenho

 Os meus nunca me bateram, nem nunca levei reguadas na escola. No 4° ano levei a primeira estalada da professora que mais gostei.  Ela gosta...